terça-feira, 5 de maio de 2009

REFLEXÃO SOBRE "O CORVO"


Quando lí o poema do CORVO, achei lindo! Entendi que era um homem sofrendo pela perda de um grande amor. Ainda vivênciando o luto, angustiado e ansioso para não pensar mais. Entendi que no meio de uma noite calma, quando lia um livro silenciosamente, pensamentos intrusos dessa amada invadiram sua mente, sendo essa representada pelo "corvo", ele não queria que o corvo entrasse, pela minha interpretação, ele não queria pensar na mulher amada, para amenizar seu sofrimento. Mas seu sentimento foi mais forte, o corvo entrou, e seu nome e memórias postúmas, ficaram ecoando naquela "noite infinita".


Quando lí, como Edgar Allan Poe, formulou esse poema fiquei decepcionada de saber que não foi nenhum sentimento interno seu, que o "inspirou" a escrever. O poema foi todo pensado, ele pensou numa palavra: Nunca mais, depois em um tema: melancolico - morte. E assim foi fazendo, ele sabia como queria terminar, então começou de baixo pra cima.


No entanto, esse poema, e a maneira como ele foi escrito me lembrou do meu passado. Como já havia contado, foi na minha adolescência o período que eu mais escrevi. Acredito que seja porque o processo de individuação dessa época é muito intenso, é uma busca diária de quem eu sou. Na época eu chamava de caderno dos meus poemas, hoje, olhando para trás vejo mais como um diário. Escrevia sempre que acontecia algo triste na minha vida, escrevi poucos em momentos de felicidade. Talvez por isso meu desapontamento em relação a maneira como Edgar Allan Poe escreveu seu poema. No entanto percebi uma semelhança entre esse poema dele e os meus, o tema. Edgar escolheu o tema melancólico para o seu poema, porque é um tema forte que prende a atenção do leitor e que mexe com seus sentimentos e recordações, afinal quem nunca sofreu pela perda de um amor?

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