segunda-feira, 4 de maio de 2009

MORTE OU TRANFIGURAÇÃO DO LEITOR?


ISE – Vera Cruz
Prática de leitura e escrita:
Como se lê e se escreve
1° Semestre - Pedagogia
Prof. Márcia Fortunato

Alunas: Juliana Maria Dreyfuss, Luanna Chiarelli, Renata Andrade

MORTE OU TRANSFIGURAÇÃO DO LEITOR?


Resumo:




Figura 1 – Organograma
Fonte: CHARTIER,
UNESP, 2002, p. 101-123.


Nos dois textos se discute sobre a diminuição da procura por livros e o triunfo da tela, da imagem e da comunicação eletrônica. Os autores levantam dados para nos mostrarem como isto vem acontecendo e quais são os prós e os contras desta nova era.No texto de CHARTIER (págs. 102 a 105) ele levanta questões de valores pessoais e econômicos que contribuíram para esta mudança, como os jovens de hoje, que não estão mais interessados em construir bibliotecas pessoais (possuir vários livros). Ressalta-se também a questão das editoras preocupadas com os prejuízos, decorrentes da diminuição da procura por bibliotecas, elas passaram a restringir bastante a tiragem de obras consideradas por demais especializadas.


No entanto, o ponto principal de discussão dos dois autores, é o forte avanço dos computadores, que estão cada vez mais tomando um espaço maior em nossas vidas, e a transformando. Por exemplo, os computadores estão mudando os comportamentos e valores, não só de escritores e leitores, mas também de toda sociedade. Alguns dos tópicos importantes levantados por ECO em seu texto referente ao contexto social, foi a solidão e o excesso de informação, um novo mundo que a comunicação eletrônica pode criar, ou melhor dizendo, já está criando. O computador nos proporciona um mundo solitário diante de sua tela, aonde os únicos fisicamente presentes são o homem e a máquina. E o excesso de informação confunde, dispersa e não comunica.


Nos últimos anos os livros ganharam dois fortes concorrentes, a TV e, outro mais recente, o computador. Tanto a TV quanto o computador transmitem a informação de um modo diferente do livro. O livro tem uma leitura linear, desenvolve por exemplo, uma idéia ou um conteúdo. A TV trabalha com a imagem, o que permite uma interpretação mais global, aberta. Já o computador, desenrola informações (como os antigos rolos usados na idade média), desenvolve uma lógica diferente que não precisa ser linear, pode ser aberta, expansiva e relacional, pois o próprio leitor pode consultar os documentos (arquivos, imagens, palavras, música) que são os objetos ou os instrumentos da pesquisa.


Uma preocupação demonstrada pelos dois autores em seus respectivos textos é o fato do computador apresentar qualquer tipo de texto (carta, livro, revista, jornal...) no mesmo suporte (tela do computador) e nas mesmas formas (geralmente as que são decididas pelo leitor). Surge assim, uma grande dificuldade em distinguir um documento confiável de um que não seja.
Outra questão levantada por ECO em seu texto é a mobilidade, maleabilidade e abertura que é permitida no texto do computador como, por exemplo, a transformação de um livro em CD-ROM hipertextual. “Neste caso, uma estória de detetive pode ser estruturada de forma aberta, tal que seus leitores possam selecionar um caminho de leitura, isto é, construir sua própria estória – decidir que o culpado pode e deve ser o detetive, ao invés do mordomo.” Esta idéia de um texto fisicamente móvel pode nos dar uma falsa impressão de liberdade, pois a única liberdade que este tipo de texto pode nos proporcionar é a de mover um número finito de formas pré-estabelecidas, pedaços de textos. Como disse ECO em seu texto: “O único maquinário que permite produzir-se infinitos textos já existe a milênios, e se chama alfabeto.”


Para concluírmos, gostaria de comentar sobre a aprendizagem que o uso do computador envolve e o que ele não envolve. Quando usamos um computador, estamos a todo tempo trabalhando com leitura, escrita, criando textos, produzindo e editando imagens, usando o raciocínio lógico para programá-lo. Tudo isto, normalmente, com bastante agilidade (especialmente os jovens). Podemos observar assim, que o ato de usar um computador, envolve conhecimentos e habilidade. Já no texto de CHARTIER (pág. 120 e 121), selecionamos um trecho, o qual consideramos muito importante que fala sobre a aprendizagem que não acontece com o uso do computador. E é muito relevante em um país como o Brasil, onde temos muitas pessoas que sabem ler, mas não conseguem interpretar um texto. “Assim como a presença da Internet em cada escola não faz desaparecer por si mesma as dificuldades cognitivas do processo da entrada no escrito (cf. Ferreiro, 2001, p.19), também a comunicação eletrônica dos textos não transmite por si mesma o saber necessário á sua compreensão e utilização. Pelo contrário, o leitor-navegador do digital corre o grande risco de perder-se totalmente em arquipélagos textuais (cf. Berring, 1995).”
Figura 2 – Organograma
Fonte: CHARTIER,
UNESP, 2002, p. 101-123.




Referência Bibliográfica:
- CHARTIER, Roger. Morte ou transfiguração do leitor? In:____. Os Desafios da escrita. São Paulo: UNESP, 2002, p. 101-123.
-ECO, Humberto. Da Internet a Gutenberg. Disponível em:http://www.inf.ufsc.br/~jbosco/InternetPort.html.%20Acesso%20em%2024/01/2007.


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