terça-feira, 24 de março de 2009

ESCREVER


Esses dois textos de Raquel de Queiroz me fez lembrar de um acontecimento na minha adolescência. Eu tinha uns 15 anos na época.

Minha irmã mais velha tinha acabado de voltar do mundial de natação na Polônia e eu fiquei com vontade de escrever uma história sobre ela. Assim como Raquel de Queiroz disse: [...Começa você sentindo vagamente que tem umas coisas para dizer ou uma história para contar...]

Na época ainda não usava computador e eu lembro da história ter umas 20 páginas frente e trás. páginas razuradas e bagunçadas; cheias de erros ortográficos. Uma história meio confusa e um pouco dramática, comum nos adolescentes.

Meus pais, acharam um máximo e fizeram eu mostrar para a família toda. Que vergonha!! Na verdade, tenho mais vergonha agora, não tinha e nunca tive vocação literária, o tal do "dom da escrita". Reconheço que sou uma pessoa inteligente e brilhante na minha especialidade (modéstia parte!), mas ainda preciso e sei que vou desenvolver uma habilidade para a escrita.

Para os que ainda não sabem, minha irmã realmente tem uma história muito bonita: Ela é portadora da Síndrome de Down, campeã mundial de natação, tendo viajado para Polônia, Madri, Tchekoslovaquia...inúmeras premiações de melhor atleta feminino, encontros com celebridades, como o Presidente do Brasil (antigo Fernado Henrrique), Gustavo Borges e a senadora Mara Gabrilli. Além disso, ela sabe escrever, ler e inclusive trabalha, como auxiliar no sedex na loja Daslu. Minha irmã faz tudo! Sem dúvida, ela é uma pessoa muito ESPECIAL. Quem sabe no futuro, realmente não escrevo uma história sobre ela.
OBS: Essa na foto é a minha irmã, na homenagem que a vereadora Mara Gabrilli fez para ela no último dia da mulher na Camâra do Estado de São Paulo.(O Estado de São Paulo, 25 de março de 2000)

quarta-feira, 18 de março de 2009

"Catar Feijão"


Na ultima aula, recebemos uma tarefa; ler um trecho de João Cabral de Melo Neto: "Catar feijão". Era para analisarmos como é o nosso processo de leitura.

Percebi que eu tenho um jeito desorganizado para registrar as coisas, se deixar, durante uma aula expositiva anoto até o espirro da professora.


Segue a baixo as minhas anotações desta tarefa, para vocês verem como eu funciono:




  • "Lí o começo do trecho duas vezes, a primeira não consegui manter minha atenção".


  • "Quando eu começo a ler e não estou entendendo, logo me vem um pensamento intrusivo...pensei o que eu tinha que fazer na sexta-feira."


  • "Não entendi nada. Se o texto fosse longo, já teria largado e desencanado. Nem tentaria mais ler, começa a me dar sono. Tenho dificuldade para entender textos assim, meio subjetivos."


  • "Lí pela terceira vez para entender que o texto estava fazendo um paralelo com a leitura...Mas o último paragrafo eu ainda não entendi...Dentro dessa sala de aula, com muita gente, me distraio mais ainda, até o barulho do meu chiclete esta me atrapalhando".


  • "Só consegui começar a entender o significado do texto quando tentei imaginar as cenas, só assim entendi o paralelo de catar feijão com o ato de escrever."

Mas é no meio dessa bagunça que eu me acho, e é assim que eu estudo.Minha memória é totalmente visual, por isso que só entendo e registro, quando coloco no papel.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Os 2 livros que marcaram minha infância





Preciso compartilhar com vocês.
Ontem, quando fui a Livraria da Vila para comprar uns livrinhos para os meus filhos, encontrei dois livros, que para minha surpresa eu me lembrei: Eram os livros que eu tinha comprado na Bienal do livro na minha infância.
Fiquei tão empolgada...porque eu lembrei deles, e lembro de ter lido-os, várias vezes; foram histórias que me marcaram e que estavam esquecidas.
Rapidamente, me dirigi ao caixa e comprei. Já lí umas duas vezes para os meus filhos, mas a mais empolgada, ainda era eu!

Biografia de Fernando Sabino


Como já havia comentado, estou lendo o livro: "Cartas a um jovem escritor e suas respostas", de Fernando Sabino para Mário de Andrade, que se passa entre 1942 há 1945. Sabino na época tinha por volta de 19 anos.

Resolvi por conta disso, pesquisar um pouco mais sobre a sua vida. E a primeira coisa que me chamou a atenção foram suas fotos. Estou tão entretida na história do livro, que esqueci que ele já era velho e que até já morreu.

Foram tantos acontecimentos na sua vida, encontros e desencontros com pessoas importantes, desde grandes escritores e politícos, além de inúmeros trabalhos; crônicas, contos, novelas, romances, que fica dificíl eu falar de tudo.

Fernando Tavares Sabino, nasceu em 12 de outubro de 1923, Dia da Criança, em Belo Horizonte.

Em 1930, com mais ou menos 7 anos aprende a ler com sua mãe, dando ínicio a sua carreira.

Em 1940, aprende taquigrafia, para escrever mais depressa e começa a ler, com grande obstinação, os clássicos portugueses: Gil Vicente e João de Barros e entre outros, até os romancistas como Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco. Antes de chegar a Eça de Queiroz e a Machado de Assis, aos 17 anos, está decidido a ser gramático.

No período de 1941 a 1944 (época em que decorre o livro que estou lendo), Sabino presta serviço militar na Arma de Cavalaria do CPOR, e inicia o curso superior na Faculdade de Direito. Passa a conviver com escritores e, por indicação de seu amigo Murilo Rubião, ingressa no jornalismo como redator da "Folha de Minas". Orientado por Marques Rebelo, reúne seus primeiros contos no livro "Os Grilos não Cantam Mais", publicado no Rio de Janeiro à sua própria custa. Foi bem recebido pela crítica. Mas o que valeu principalmente foi a carta recebida de Mário de Andrade, a partir da qual inicia com ele uma correspondência das mais preciosas para a sua carreira de escritor.

Lendo mais sobre sua biografia e obras, lembrei que o romance "Menino no Espelho" era de sua autoria, foi então que entendi meu súbito interesse por ele e a facilidade que estava encontrando em ler esse livro "Cartas a um Jovem escritor". Como já havia relatado, foram poucos os livros que eu lí até o fim, durante a minha infância e adolescência, e "Menino no Espelho" foi um deles.
Fernando Sabino construiu uma carreira admiravél e faleceu dia 11 de outubro de 2004 na cidade do Rio de Janeiro. A seu pedido, seu epitáfio é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino". Que lindo!!!

terça-feira, 10 de março de 2009

O que faz o autor escrever?


Na última aula discutíamos sobre o que move o autor a escrever. Para Carlos Drumond de Andrade sem inspiração não se faz e não se escreve nada. Concordo com ele.

Fazendo um paralelo com Jung tenho a seguinte opinião: Para Jung existem 4 tipos psicológicos: Pensamento, Sentimento, Intuição e Sensação; que são funções da consciência importantes no processo de desevolvimento psicológico do indivíduo. São através dessas funções que o indivíduo fica mais apto a se relacionar com o mundo externo. Pensar, Sentir, Perceber e Intuir são os modos diferentes de operar no mundo.

Acredito que os escritores possuem as funções, Percepção e Intuição mais desenvolvidas. Numa cena comum do cotidiano, eles observam e a captam rapidamente e têm um insight.

O insight é ter uma nova visão daquela determinada coisa. A mesmice da vida é um tédio, um mesmo dia que se repete. O insight é olhar para essa mesmice por outro ângulo. Se eu fixo sempre a mesma idéia, não é possível ter um insight. O insight é um movimento de abertura.

Do meu ponto de vista, os escritores possuem uma enorme capacidade de ter insights. Por isso defendo a idéia de Drumond, que diz que para escrevermos precisamos ter uma inspiração. Os insights que os escritores têm capacidade de ter facilmente, são as inspirações para começar a escrever.

Por exemplo; uma simples velhinha sentada no banco da praça, pode vir a ser um tema de um grande livro. Tudo só depende do seu olhar para aquela cena. O olhar e o pensar fixo devem ser abandonados para entendermos a totalidade daquela cena.

Muitos escritores têm apenas o estudo e a prática de escrever. Mas acredito que os grandes escritores possuem além disso, esses tipos psicológicos bem desenvolvidos.

domingo, 8 de março de 2009

Meu primeiro contato com os livros

O primeiro contato que eu consigo me lembrar que tive com os livros foi aos 7 anos, em uma excursão da escola para a Bienal do livro.
Minha mãe havia me dado dinheiro para comprar alguns livros. Lembro de me sentir super importante por estar carregando meu próprio dinheirinho.
Quando chegamos à Bienal, me recordo da sensação que tive: "que lugar enorme", "quantos livros", "quanta gente", "para onde vou?". Meus amigos logo saíram correndo e pegaram vários livros, os professores mostravam alguns, mas nada me chamava atenção. Continuava ali encantada com aquele universo de livros, mas sem saber qual comprar. Acabei optando pelo da capa mais bonitinha e não sei dizer nem qual era o seu título, muito menos a história, para falar a verdade, não sei nem se eu li.
Hoje percebo que eles não me eram familiares, por isso não me chamavam a atenção. Na minha casa, infelizmente, não havia esse costume. Eu me interesso por livros, mas como nunca tive o hábito de ler, eu não sei ler.
E até hoje quando entro numa livraria essa história ainda se repete. Minha última ida foi há um mês atrás. Entrei na Livraria da Vila e começei a ver quais eram os livros de lançamento, pela capa acabei escolhendo um de suspense. Segui para a sessão de Psicologia, fiquei horas olhando e peguei dois livros sobre a bibliografia de Jung e um terceiro - "Jung e a interpretação dos sonhos". Preciso confessar mais uma vez que já tentei começar a ler, mas ainda não passei do primeiro capítulo.
Na primeira aula da Marcia foram dadas dicas para nos ajudar a ler, algumas me chamaram a atenção:
-Prestar atenção em quais lugares que você consegue manter sua atenção sustentada e quais são os lugares que te dispersam;
-Prestar atenção qual era o assunto que o livro estava falando no momento que você se distraiu, ou ficou com sono, porque na maioria das vezes é um assunto que você desconhece, nesse caso é melhor pesquisar um pouco sobre ele, para seguir em diante;
-Pesquisar sobre o autor antes de começar a ler o livro, para te situar e te deixar mais interessada e por dentro.
Recentemente tivemos que escolher um livro de uma lista solicitado pela professora Marcia. Escolhi o livro do Fernando Sabino, "Cartas a um jovem escritor e suas respostas". Curiosamente segui as instruções dadas na nossa primeira aula e estou muito surpresa e orgulhosa de mim, já passei da metade do livro em apenas duas semanas. Espero realmente conseguir termina-lo no prazo, pois será uma grande conquista para mim. Prometo que assim que terminar, escreverei aqui.